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SE A CRIANÇA NÃO CONSEGUE APRENDER A LER...

          

           Não peça ao disléxico “para fazer coisas na frente dos colegas, que o deixem na berlinda, principalmente ler em voz alta”... “Ele precisa de uma trégua.”

            Mário Ângelo Braggio em Dislexia – cérebro, cognição e aprendizagem.

 

            A dislexia ou transtorno da leitura é responsável por cerca de 80% dos transtornos de aprendizagem dos escolares do ensino fundamental.

            Mas, o que é dislexia?

            No idioma grego, léksis é palavra, elocução, ação de falar, e dys é falta, privação, deficiência. Assim, dislexia refere-se à dificuldade para aprender a reconhecer o significado das palavras. É dificuldade na decodificação do vocabulário e sua transformação em fala. Não é alexia, pois este termo é para a incapacidade de entender sinais gráficos por lesão cerebral no hemisfério esquerdo. A ou an, em grego, é privação de.

            Porque o termo dislexia tem sido usado por alguns para transtornos da leitura e da escrita, é preciso dizer que deficiência para escrever é disgrafia; a incapacidade é agrafia. Graphe, em grego, é escrita.

            Há várias formas e graus de dislexia, como: a) de atenção, marcada por leitura relativamente normal de palavras, mas grosseiras interrupções; b) central, disfunção devida à incapacidade das mais altas funções cognitivas; c) de desenvolvimento, caso das crianças em que não há transtorno neurológico, mas não aprendem devido a experiências de vários tipos; d) diseidética, que é aquela em que a criança não lê as palavras como “todos”, mas sim sílaba por sílaba; e e) fonológica, em que a dificuldade é para aprender o som das palavras.

            No Dictionary of psychology de A. S. Reber e E. Reber (Penguin Books, 2001, 3ª ed.), lê-se que nada se sabe “com exatidão” sobre as causas dessa deficiência. E, para se dar o diagnóstico de dislexia congênita, será preciso eliminar todos os demais possíveis fatores, a saber: perceptivos e motores, psicológicos, decorrentes de bloqueios emocionais no lar e na escola e pedagógicos, como a metodologia de ensino e o comportamento da professora.

            Reber e Reber definem congênito como o que está presente no nascimento. Não é necessariamente sinônimo de inato ou hereditário. Um exemplo é a síndrome alcoólica fetal, as reações do recém-nascido privado do sangue da mãe alcoólica. Já genético é definido como pertencente às origens e desenvolvimento de um único organismo ou de toda uma espécie.

            Nós, por outro lado, fazemos uma nítida distinção entre os termos hereditário, genético, congenital e embrional. Hereditário é um atributo físico, natural, transmitido de pais a filhos através de várias gerações; genético é o que decorre da disposição dos gens do pai ou da mãe e que está presente a partir da formação do ovo, como as aberrações cromossômicas responsáveis por várias síndromes (de Down e outras); congênito é o causado por condições da gestante ou do ambiente,  que afetam o embrião ou o feto, como raios X, intoxicação por drogas, fármacos, alimentos ou poluição ambiental e doenças da mãe, como rubéola, sífilis e outras; e embrional é o gerado pelo próprio desenvolvimento embrional, como hidrocefalia, microcefalia e outras anomalias.

            Contrariamente à opinião de que nada se sabe “com exatidão” sobre as causas dessa deficiência, há a de vários pesquisadores, para os quais “parece” que são hereditárias as deficiências no processamento fonológico (o da fala); e. para outros, as causas são alterações dos cromossomos 6, que afetam a atenção fonológica e o desenvolvimento da habilidade ortográfica, e 15, vinculado á decodificação dos fonemas e reconhecimento de palavras (Dislexia, da Associação Brasileira de Dislexia. São Paulo: Frôntis Editorial, 2000).

            Para se fazer o diagnóstico de dislexia hereditária ou congenital, será preciso eliminar todos os possíveis fatores, citados ao comentarmos a dislexia congênita segundo Reber e Reber. E esse diagnóstico só pode ser feito por uma equipe multidisciplinar, formada por oftalmologista, fonoaudiólogo, neurologista, psicólogo escolar, orientador educacional e assistente social. Mas, como cabe à professora de alfabetização detectar essa deficiência na criança de 6 a 8 anos, é importante que ela, o psicólogo escolar e o orientador educacional consultem o livro Nem sempre é o que parece – como enfrentar a dislexia e os fracassos escolares, de Maria Eugênia Ianhez e Maria Ângela Nico. São Paulo: Alegro, 2002.

            Demais informações podem ser dadas pela Associação Brasileira de Dislexia. São Paulo: Av. Angélica, 2318, 9º andar; fone: (011) 231.3296; faz: (011) 258.7568.

 

Notas:  1-   O termo desenvolvimento embrional refere-se tanto ao do embrião como ao do feto.

            2-  Agradecemos à sra. Denise Ribeiro Deotti pela colaboração .    

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