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Obesidade:
nem sempre água com açúcar acalma.
Marcos
Congílio Jr.
De
acordo com Heller (2004),
grande
parte das crianças obesas são tristes. Elas se envergonham de suas figuras sem
formas, embora não consigam escondê-las. Onde quer que vão, chamam a atenção.
Não há dúvida que a obesidade é uma forma de existência não desejável
para uma criança. É ainda menos desejada para um adolescente, para quem até
mesmo pequenos graus de sobrepeso podem funcionar como uma barreira destruidora
numa sociedade obcecada pela magreza.
Um
fator importante é analisar uma possível influência do ambiente familiar com
a gênese da obesidade, para tal, vamos voltar à infância.
Desde
o nascimento a comida vem associada ao prazer. Quando o bebê chora, a mãe lhe
dá o peito, o calor do corpo da mãe, seu cheiro e o carinho do toque recebido
durante a amamentação são as primeiras associações entre prazer e alimento.
O alimento é o prazer mais primitivo ao qual o homem tem acesso desde seu
nascimento. Esta relação normal e adaptativa pode, entretanto, em função de
aprendizado futuro, se generalizar para outras situações tornando-se
inadequada. Muitos pais dão guloseimas para seus filhos para que estes parem de
chorar, de fazer bagunça ou simplesmente para que fiquem quietos (Heller,
2004).
Imaginem
que uma criança acorde assustada de madrugada, e os pais propõem
- “Tome está água com açúcar, que você se sentirá melhor”. O
que os pais, acidentalmente, ensinaram ao seu filho? A criança “aprendeu”
que para amenizar suas frustrações basta consumir açúcar; na adolescência,
poderá abusar de doces quando se sentir ansiosa e conseqüentemente seu peso
vai aumentando gradativamente. Na escola recebe apelidos “carinhosos” como
baleia, bola, entre outros e a criança passa a evitá-la, apresentando baixo
rendimento escolar, tendo baixa auto-estima podendo apresentar déficit social.
Caso alguém a questione a respeito desta forma de lidar com suas frustrações,
pode ser que não saiba responder por não se lembrar que a princípio foram
seus pais que acidentalmente a estimularam durante a infância através do
aprendizado de uma nova forma de se relacionar com a comida (também serve para
“acalmar”).
A
psicoterapia é útil para que a pessoa observe a relação que está fazendo
com a comida, levando-a ao
enfrentamento de suas frustrações de maneira mais adaptativa. É importante
acompanhamento com nutricionista, endocrinologista e consultar um profissional
de educação física para planejar um programa de exercícios.
REFERÊNCIA
Heller,
D.C. (2004). Obesidade infantil: Manual de Prevenção e Tratamento.
Santo André: ESETec
Editores Associados
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