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O TRABALHO DO PSICÓLOGO CLÍNICO?

Lannoy Dorin

A Psicologia Clínica é a área mais popular da Psicologia Aplicada, mas, na verdade, o grande público não conhece bem o tipo de trabalho do psicólogo clinico, confundindo-o com o do psiquiatra, que é um médico com especialização no estudo e tratamento de profundos transtornos mentais. Basicamente, sua abordagem dos transtornos e formas de tratamento são as da área médica.

          O psicólogo clínico é um especialista em modificação de comportamento ou psicoterapia*. Ele trabalha com as pessoas individualmente ou em pequenos grupos, orientando-as para melhor conhecerem seus problemas, suas potencialidades e as formas de lidarem com as forças internas e externas que dirigem seu comportamento. O nome desse empreendimento é psicoterapia. Embora terapia signifique tratamento, o psicólogo não emprega esse termo no sentido de curar seu cliente, o qual não é visto como uma pessoa enferma, doente. Os transtornos mentais e da personalidade para ele não são doenças, mas sim hábitos, formas de ajustamento à realidade, que foram aprendidas ao longo do processo de desenvolvimento e que, na idade adulta, se mostram inadequadas. O cliente é alguém que fez uma importante descoberta, a de que tem certas reações ante frustrações e em estados conflituais que o incomodam. Essa discordância o leva a desejar melhor conhecimento das causas e dos meios de modificar tais comportamentos. Por isso espera que o psicólogo o ajude.

          Afora o trabalho com adultos, o psicólogo clínico também tem como clientes crianças e adolescentes com problemas comportamentais, de comunicação, de ajustamento sexual, emocional, social etc..

          No que diz respeito às pessoas privadas da capacidade de se comunicarem oralmente e com profundas alternações mentais, que pode fazer esse profissional?

          Pessoas com tais problemas não o procuram para analisá-las e ajudá-las. Via de regra, um indivíduo com psicose causada por droga psicoativa ou doença cerebral, é levada a um hospital. Uma equipe de especialistas (neurologista, psiquiatra e médico de clínica geral) prescreve o tratamento. O papel do psicólogo é orientar tal cliente e seus familiares sobre os comportamentos adequados em vista do equilíbrio mental e uma vida saudável.

          No caso de pacientes com transtornos sem causa orgânica, mas sim funcionais, o psicólogo dispõe de técnicas que podem levá-los a se conhecerem e adquirirem comportamentos que atualizem suas potencialidades. O chamado psicótico é uma pessoa com história, a qual, uma vez conhecida, explicará os seus comportamentos inadequados, como provou Nise da Silveira (Imagens do inconsciente).

          Trabalhando com indivíduos em grupos ou individualmente, o psicólogo clínico pode fazer uso de várias teorias e técnicas de investigação da personalidade. As teorias são indispensáveis para a compreensão das causas do comportamento, sobretudo do adquirido nos primeiros anos de vida, e as técnicas para a obtenção de informações e orientação de mudanças comportamentais de seus clientes.

          Quanto a este último item – modificação de comportamento -, a posição do psicólogos pode ser heterônoma (ele leva o cliente a se modificar de acordo com padrões comportamentais exigidos pela sociedade) ou autônoma (ele se dirige ao intimo do cliente, ajudando-o a estabelecer para si mesmo as modificações que deseja e ainda não conseguiu). No primeiro caso, a conscientização de meios e fins não é fundamental; no segundo, ela é o centro em torno do qual tudo gira no esforço psicoterápico. O autônomo estabelece com seu cliente um relacionamento contratual e não de status (ditar normas e exigir obediência). O contratual pode ser expresso pela pergunta feita pelo cliente e pelo psicólogo: “O que quero e o que dou?” O relacionamento só é estabelecido a partir do momento em que estão bem definidos os objetivos de ambos.