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*Terapia sexual

Vicente E. Caballo

 

    A terapia sexual, ou tratamento da disfunção sexual, obteve uma ampla atenção, tanto profissional como popular, desde a publicação do livro de Masters e Johnson, Human sexual inadequacy, em 1970. Atualmente, a terapia sexual constitui uma área especializada da psicologia, da psiquiatria e da medicina. Assinala-se uma série de princípios básicos para a terapia sexual, recebendo cada um deles diferente ênfase dependendo do caso particular (Friedman e Chernen, 1987; LoPiccollo, 1978):

a. Responsabilidade mútua, isto é, todas as disfunções sexuais são transtornos compartilhados. Independentemente da causa da disfunção, ambos os membros do casal são responsáveis pela mudança futura e pela solução de seus problemas.

b. Informação e educação. Muitos pacientes que sofrem de uma disfunção sexual, lamentavelmente ignoram muitos aspectos do comportamento sexual. Por conseguinte, o terapeuta tem que assegurar-se de que os pacientes tenham um conhecimento adequado do ciclo da resposta sexual.

c. Mudança de Atitude. As atitudes negativas dos pais e da sociedade a respeito da expressão sexual, experiências passadas traumáticas e problemas atuais se misturam para fazer com que os pacientes com disfunções sexuais abordem cada interação sexual com ansiedade ou, em casos extremos, com asco e repugnância. O terapeuta tem que provocar diretamente a mudança de atitude nesses pacientes.

d. Eliminação da ansiedade ante a atuação. Para que a terapia tenha êxito, os pacientes devem liberar-se da ansiedade ante sua atuação sexual. Os pacientes devem deixar de atentar exclusivamente à ereção, ao orgasmo ou à ejaculação e centrar-se em desfrutar do processo, em vez de tentar obter um determinado resultado.

e. Incrementar a comunicação e a eficácia da técnica sexual. Os casais disfuncionais tendem a ser incapazes de comunicar claramente suas preferências e desagrados sexuais. A terapia sexual incentiva a experimentação sexual e uma comunicação aberta, eficaz, sobre a técnica e as respostas sexuais.

f. Mudança dos estilos de vida destrutivos e dos papéis sexuais. Às vezes a relação sexual ocorre só quando todas as demais tarefas foram resolvidas, quando as pessoas já estão cansadas física e mentalmente. A mudança do momento em que ocorre a relação sexual, o reservar um tempo para ela, pode converter o sexo em uma experiência mais positiva. A rígida separação dos papéis sexuais pode constituir também uma influência negativa para a relação sexual de muitos casais.

g. Planejar mudanças no comportamento. Se há uma característica distintiva da terapia sexual, esta é a prescrição de uma série de passos graduais sobre comportamentos sexuais específicos, que os pacientes têm que realizar em sua própria casa. Um exemplo é a técnica de compressão.

Técnica de compressão (ejaculação precoce)

    É uma técnica básica da terapia sexual e se utiliza freqüentemente no tratamento da ejaculação precoce. O procedimento requer que a parceira estimule o pênis ereto até o ponto em que o homem experimente uma sensação que avisa a inevitabilidade ejaculatória. Neste ponto, interrompe-se a estimulação e a parceira aperta justo embaixo da borda da glande (de 15 a 30 segundos) e espera que se reduza a ativação. Repete-se o processo até que os períodos do controle do reflexo ejaculatório sejam cada vez mais longos. Uma variação desta técnica é o método de stop/start (pare e recomece) proposto por Semans. Este procedimento é realizado, não através de uma compressão, mas da interrupção da estimulação. O homem descansa até que diminua a sensação de uma elevada ativação e então começa de novo a estimulação. Este exercício é útil no caso de uma parceira que não possa praticar a compressão, ou para pessoas sem parceira e pessoas que desejam participar sozinhos da masturbação.

 

*retirado de:  Caballo, V. E. (2002). Manual de Técnicas de Terapia e Modificação Do Comportamento.(pp. 704-705). [Trad. Marta Donila Claudino].  Santos/SP: Livraria Santos Editora Com. Imp. Ltda. Publicado originalmente em 1996.

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